Luís Filipe Vieira: “Maxi e Casillas são reforços de peso também no salário”

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Luis Filipe Vieira concedeu uma entrevista ao jornal Record onde falou sobre os novos reforços do FC Porto, bem como o forte investimento do Sporting.

R – Concorda que há um grau de investimento visível no FC Porto e no Sporting que não se vê no Benfica?

LFV – O que os outros fazem não vou comentar. Sei apenas o que nos custou trazer o Benfica até aqui para de repente comprometer tudo o que fizemos. Temos um bom plantel e será com este plantel que vamos lutar pelo tri. A última grande crise do Benfica e que quase nos condenou ao desaparecimento teve a ver precisamente com o facto de querermos ir atrás dos outros clubes numa espiral de gastos que a nossa tesouraria não aguentava. E não aguentou, por isso perdemos os melhores jogadores e passámos anos sem nada ganhar. Não contem comigo para ir por aí.

R – Portanto, acha que aquilo que o FC Porto e o Sporting estão a fazer é demasiado ousado para a situação económica que vivemos?

LFV – Já lhe disse que não vou comentar o que se passa em outros clubes. Sei apenas que há três semanas, a propósito de um determinado jogador, disse que o Benfica não estava interessado, nem poderia estar, porque nenhum clube português podia pensar em comprar jogadores de 15 milhões de euros, e a verdade é que pouco tempo depois houve quem comprasse um por 20 milhões. Vieram para o futebol português jogadores com vencimentos que até há algum tempo eu diria não ser possível, mas da casa deles são eles que devem tratar. No Benfica não vamos por esse caminho, porque entendo que seria muito arriscado para o futuro do clube.

R – Está a dizer-me que acha arriscado o caminho seguido pelo FC Porto?

LFV – Não vou avaliar a gestão do FC Porto, digo-lhe apenas que não é um caminho que o Benfica vá seguir. Até há um ano, via muitos jornalistas dizer que o futebol português estava a viver acima das suas possibilidades, que tínhamos de apertar o cinto, que tínhamos de apostar na formação. Um ano depois, o Benfica vai por esse caminho, e de repente começo a ouvir que não se ganha nada com a formação, que não compramos jogadores de referência, que afinal reduzir o passivo já não interessa. Afinal, em que ficamos? O Rui Vitória já foi claro, a formação existe, vai ter oportunidades, vão ter de agarrar essas oportunidades. Mantivemos até agora o grosso do plantel que foi bicampeão, reduzimos passivo, mas pelos vistos nós é que estamos mal. Já não percebo.

R – Num Benfica que tem de se impor na Champions, não receia esta falta de investimento?

LFV – Investir é uma coisa, e a equipa que temos obriga a um investimento da nossa parte. Outra coisa é gastar acima das nossas possibilidades. Não digo que não se possa fazer algum outro esforço se isso for considerado absolutamente necessário, mas sem nunca perder a lucidez e a noção da nossa realidade.

R – Mas nomes como Maxi e Casillas são reforços de peso…

LFV – Não vou dizer que não são. É evidente que são! Mas os nomes só por si não ganham campeonatos. São reforços de peso a nível competitivo, mas também a nível salarial.

R – Como se sentiu ao ver Maxi Pereira a ir para o FC Porto?

LFV – Infelizmente, já não tenho a visão romântica de antigamente. Creio que fizemos tudo o que podíamos ter feito para o manter no plantel, a opção dele foi outra. E, como disse, o Benfica continua. Não há insubstituíveis.

R – A Maxi, não devia ter apresentado a renovação mais cedo? O Benfica fez tudo o que podia?

LFV – Tenho a consciência tranquila em relação a isso. Fizemos o que devíamos ter feito e no tempo em que o devíamos ter feito. Não vou falar mais deste tema.

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