A Sagres deu ao Benfica aquilo que recusou ao Sporting

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O advogado Carlos Barbosa da Cruz escreveu hoje um artigo de opinião no jornal Record que revela uma ligação da marca ao Benfica que vai além do patrocinio e denuncia que o vídeo sobre Rui Patricio não foi apenas uma brincadeira.

“Em meados de 2008, o Sporting tinha negociado com a Sagres (Central de Cervejas), uma atualização modesta do contrato de sponsoring que existia e que envolvia o patrocínio das modalidades amadoras e o naming de uma porta do estádio. Pouco tempo depois, a Sagres escreveu ao Sporting, dando conta que estava a braços com dificuldades financeiras e que não iria conseguir pagar o aumento acordado.

No princípio de 2009, a comunicação social divulgou que a Sagres e o Benfica tinham celebrado um acordo de patrocínio por 12 (!) anos, porventura o mais longo contrato na história do investimento publicitário em todo o mundo; a questão dos 12 anos não era obviamente inocente, pois, com esse contrato, o Benfica assegurava receitas que facilmente poderia antecipar junto da banca.

O Benfica contratou Javi García, Saviola e Ramires, ganhou o campeonato 2009/2010, quando, nos quatro anos anteriores, tinha ficado sempre atrás do Sporting.

Pode dizer-se, sem exagero, que a Sagres criou as condições que permitiram ao Benfica ganhar o campeonato. Por outras palavras, a Sagres deu ao Benfica aquilo que negou ao Sporting e assumiu-se como muito mais do que um mero sponsor do futebol; a Sagres, que antes distribuía os seus investimentos entre Sporting e Benfica, tomou partido, assumiu um compromisso duradouro com esta equipa, identificou-se com ela e associou de forma indelével as duas marcas.

Ao proceder assim, a Sagres não só falseou regras elementares de ética concorrencial que supostamente deveria observar, como ainda passou a ter um estatuto ativo de parceiro engajado por uma razão óbvia: tem retorno do seu investimento na exata medida em que o Benfica ganhar e adquirir visibilidade.

O vídeo do Rui Patrício não é uma brincadeira de mau gosto. Antes fosse. O vídeo insere-se numa estratégia comercial, de quem acha que pode tirar benefícios da menorização do Sporting. Para quem tem dúvidas, atente-se no filme publicitário que recorrentemente passa na Sport TV, sob o lema “Sagres – Somos Futebol”, em que a imagem final e mais discernível da mensagem, que vem em crescendo, é um golo do Benfica e a respetiva celebração. Não é preciso ser especialista em diálogo subliminar para perceber o que se pretende com este tipo de montagens.

Dá para ver que, na guerra das cervejas, como na do futebol, há gente para quem vale tudo.”

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